quinta-feira, julho 29, 2010

( )

Nenhuma palavra,
Nenhuma palavra em minha alma
Por isso escrevo esse texto vazio
Tentando lhe prender por este sentido

Sentimento
Vácuo, vazio e apagado.
Preenchido pelo nada,


e nada mais.


apenas o desconexo
o sem sentido
perdido e desconhecido

apenas o vazio,

apaixonado e entretido.

terça-feira, julho 06, 2010

A Lágrima

Tinha acabado
A dor d'antes submersa, agora floresce
como a umidade que tanto me faz falta
Emerge das entranhas do solo vermelho e seco
pelo caule vivo da flor lilás

A lágrima.

tão rara em meu rosto,
tão desesperadamente impensada
me mostra que não sou dono de meus sentimentos

me despedaço.

escorre a lágrima pelo rosto.

Trêmulas e imprecisas minhas mãos se agarram ao telefone
Chacoalha como as águas torrentes em um desfiladeiro
grunhe como desespero solitário da garganta de um abismo
minha vóz.

Choro.

Choro por saber que magoei quem amava
e agora me perco em meus sentimentos por não ver uma saída
ferida fria, aberta e maligna.

Faço o que há de fazer,
espero, que feche
espero fechar.
a ferida que abri em você.

segunda-feira, maio 24, 2010

Sábado

Sábado de manhã
Andando não sei pra onde,
Sem rumo

Reparo pelos caminhos
Olho a paisagem
Não me permito qualquer destino

Rumo para onde todos se encontram
Ando como todos andamos
Com todos que andam

Todos andamos
Em um sábado sem sentido
como em todos os outros dias

Andamos
Enquanto estamos
enquanto somos

vivos

Me pergunto o que seria se não existissem as leis
Quais leis teríamos?
De que valeria tudo que carregamos
empunhando
exibindo

Não teríamos

Talvez, mas só talvez

Seríamos...

como em um sábado sem destino.

quarta-feira, março 17, 2010

Morreu...
ele pode ressuscitar mais, por vez: morreu.

morreu o poeta em mim, ele já não escreve. ele já não existe, sou outra pessoa, e esse blog é passado.


tão passado quanto tudo que escrevi aqui.

não escrevo mais!

mas não defino o infinitivo,
nada é indefinido
por enquanto é...
definitivo.
...

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Humando

Ser Humano não é ser-humano,
Ser Humano é amar.
Porque ser-humano é amor.
flor
calor
dor
furor
humor
cor
...

quarta-feira, outubro 21, 2009

A velha História... continua irresistivel

Mais uma vez tento recomeçar do nada, e
Nada me vem...
bem,
se me vem o Nada
há algo que me vem
Em mais uma madrugada embriagado, são e saudável

me convém

dizer que o nada me vem.

quarta-feira, setembro 30, 2009

Saudades

Nunca mais Vivi
vivi a verti
mas nunca mais te vi,
quem te concebeste
deste o nome que veste
vida em ti
Vivi ...
Viveste...

quinta-feira, junho 25, 2009

Nanna


Ela tão bela
E tão grande é
A cama nela

Com que sonha ela?
Braços abertos
pernas jogadas
coluna torcida
olhos fechados
boca sorrindo

Com que sonha ela
Que na cama é tão bela

E mesmo que tão grande
A cama nela
Grande continua ela
Tão bela

Nana Marianna
Nanna
O mundo te espera

quinta-feira, novembro 13, 2008

sábado, julho 26, 2008

Da Prosa à Poesia

Finda a noite em sol nascente
Crepúsculo das estrelas.
Torpe o álcool
circunda nossas veias
Rege nossa dança
Nossos suores
Nossos beijos

Ósculos de nossos sexos
Objeto
De nossos prazeres

Entrega-se em delírio
Na força nula de bêbeda
Passa o tempo
Passa o álcool e muda-se o texto. Já não tem a forma de antes.
Já não é mais espontâneo, já não soa como seus pensamentos. Agora se apresenta como arranjo, mostra-se forjado como a prosa em texto. Já não tem mais poesia é só conveniente. Como pode ser assim? Não deixar fluir a paixão, falsear a sensação é como ignorar metade do corpo, senão ele inteiro.
Agora arquiteta, palavra por palavra. Toma o cuido com sua expressão afim de fazer dela o mais apropriado. Preserva-se assim diante de uma mascara, mascara essa que vã, não a desprotege de nada? Estranha e doce é a ilusão, as vezes achamos que enganamos nosso âmago. Mas à face oculta das razões de nosso sentimento e esquecimento não conseguimos dissimular por completo, jamais, em nossas expressões.

quarta-feira, julho 02, 2008

"Pessoa que não é Prosa pode dizer Poesia" diziam Novos Baianos

Ele era jovem... mas só era um ali, tentando se destacar. Usava poesia como forma de expressão! Mas, só isso não bastava... Não supria com suas necessidades. Ele queria mais. Em seu trabalho de tradutor para um comerciante, via ele que não conseguiria mais. Sua única chance: a poesia. Era a única coisa pela qual ele se arriscaria sair da posição social em que se encontrava - um anônimo -. Escreveu então todo seu pensamento em uma obra. Simples. Aproveitou-se de que já escrevia em uma pequena revista sobre literatura e escreveu uma coluna que dizia o seguinte: Surgiu então o novo maior poeta da língua lusitana ! Enfim, um poeta que destituirá o cargo de Camões ! Ele é apenas um camponês, vive nas montanhas e vive só, trabalhando como um pastor!


Seu anuncio de poucas linhas causou um caos na comunidade dos letrados da terra do galo. Todos discutiam se ele era ou não era um verdadeiro substituto para Camões. Mas... estranho ? Ninguém falava de seus versos, ninguém falava nos seus livros? Nas salas as discussões eram imensas. Falavam a respeito da sua vida. Discutiam se sua origem humilde era coisa boa ou não. Falavam uns que ele era um gênio pois, "para um camponês que aprendeu a ler e escrever sozinho, seu aprofundamento filosófico era uma obra de arte". Outros diziam que sua obra era como a de uma criança de 13 anos que se põe a escrever.


Indiferente das opiniões opostas, o fato é que ninguém tinha lido o livro e portanto só falavam de aspectos dedutíveis da pequena coluna feita por nosso personagem tradutor. Enquanto essas discussões banais aconteciam, procuravam, alguns mais atentos, o tal livro tão falado. Mas não era só um o livro, na verdade eram dois e um dos quais nós falamos era escrito por um pastor apaixonado. Alberto, de nome simples, nome honesto como guardador de rebanhos ele trabalhava. Os que leram os dois pequenos livros se elevaram aos assuntos mais relevantes no livro tratado.


Tão interessante eram as conversas cultivadas que impressionava os que não leram o livro, ultimamente o mais falado. Após todos se dividirem, uns o apoiaram e reafirmaram, tratando como fato consumado ser ele o substituto de camões, por anos aclamado. Não sabiam eles quem esse humilde pastor era em pessoa na verdade. Nada tinha de humilde nada tinha de solitário (exagero da minha parte), essa pessoa era filho de diplomata e o mundo tinha rodado, foi a conhecer a Africa, Inglaterra, e a Europa em parte. Mas se estabeleceu em Porto Galo. Era ele o mesmo que todo esse debate em uma simples noticia tinha começado.

E se beneficiado.


verde calma clara
é a vida por essa janela
azul celeste cobre os tetos
tocando
negra pasta tóxica
por onde passam os carros

asfalto
Cola no horizonte
a abóboda celeste
com o verde amarelado

das matas do Centro Oeste


Leon Prado