segunda-feira, agosto 15, 2011

Quando Eles Chegarem

se um dia Eles vierem
não vão nos render por armas
doença ou guerra
chegarão tão belos, puros e admiráveis
que nos renderemos à sua espécie

por admiração nos entregaremos a suas ordens
escravizados por seus olhos claros
e seus rostos simétricos.

se um dia Eles chegarem
nos dominarão por sua bondade e intelecto
e nos entregaremos como gatos cachorros
e outros animais domésticos.

terça-feira, agosto 09, 2011

A Fenda (El Surco)

Dentro de uma fenda aberta vi germinar
Um astro de infinita solidão
E com uma cesta lhe vi regar
Com água de um corrego de obscuridão

Ah, meu deus, a semeadura listou-se a perder
E a agua do corrego foi-se a correr
Ao astro lhe gosta a liberdade
E a agua do corrego a claridade
Não floreceu o astro, foi-se a clarear

Em uma hora triste quis-se cantar
E dentro de meu canto quis-se gritar
E dentro de meu grito quis-se chorar
Pois assim canto para calar

Ah, meu deus, a hora em que fui a cantar
Ah, meu deus, a hora em que fui a gritar
Se gritando se chora para calar
E meu jarro sedento não chega ao mar
Ah, meu deus, a hora em que fui a cantar
Ah, meu deus, a hora em que fui a gritar

E assim foi-se o astro a sua liberdade
E assim  foi-se o corrego a sua claridade
Mas não chega a hora de me libertar

esse poema é uma livre tradução da música 'El Surco' do grupo Chabuca Granda

sexta-feira, julho 01, 2011

A Noite²

Aqui se fez a vez
soltar as frustrações
desajustar o injusto
sentir-se satisfeito.

Aqui, fez-se
Neuroses psicoses
expostas certezas
Inamor, as vezes

Aqui
onde tudo...
se desfez

sábado, junho 18, 2011

A Noite

Em dado momento depois de algumas cervejas, o jovem resolve se levantar e ir ao microfone. A festa estava boa, havia luz de velas dentro de sacos de papel de pão iluminando um ambiente amistoso por onde se via claramente que habitava o amor, as pessoas em sua realeza se faziam suas naturezas, permeando assim por beleza entre olhares e gestos corteses o ambiente posto de magia e sutileza. Diante deste quadro que lhe colava a vida através de suas retinas, disse o jovem rapaz


Queria dizer que sou poeta
Embora nunca tenha recitado
uma poesia minha

E também dizer que sou músico
amador
amador pois tento

E se tento foi
Porque por aqui
conheci o amor

Terminando então suas palavras, sentou-se novamente ao seu lugar e manteve-se em silêncio, tocando seu pandeiro e cantando algumas músicas, quando lhe achava valer essa dura pena. Com bom humor, como devia: sem se importar ou impor.

domingo, maio 29, 2011

Luciana.

De repente me bateu saudades dos tempos idos
De tempos confusos
Adolescente indeciso

Todo aquele conflito
Todos maus entendidos
Superados mas vividos

Nem tudo na vida tem um desfecho bonito
mas tudo na vida é lindo
como olhar para o mar revolto
ou mesmo calmo e tranquilo

Me dera o mundo um destino
o faço como simples devo
encontro ao infinito

já não carrego mágoas e nem tão pouco o oposto disso
apenas as vezes vem de encontro
boas memórias do que vivi
que estavam esquecidas

sexta-feira, maio 27, 2011

Amor.

A muito falo sobre o amor e cansei
agora quero falar sobre fatos
ou sobre atos

Apenas retratos
que marco
sem telha nem beira
o quanto queira
o acaso

agora me valho do velho
me vem ao caso
e como temo
me pergunto o que tenho
se em agouro me reparo

Douro o ouro
afim de que juventude não me falte
não há pobreza maior do que a falta de liberdade
não há velhice maior do que a falta de preparo

Vida velhice, idade avançada.
não há o que falte não há
fartura representada por saber
e ver a realidade.

Os Que Voam

Alados são os que voam
seja palavra
verso frase
pássaro ou pessoa

Alados são os que vivem
fora das grades
os que não tem números
os que não tem marcas

Alados são os que amam
e o fazem a vontade
não pensam
agem sem medo nem raiva

Alados sao alados
sobem descem entram e saem
soberanos
no mundo de seus próprios atos.

quinta-feira, maio 05, 2011

Futuro do Pretérito

Te amaria
Se você soubesse esperar um pouco mais
Se um amor passado não vos assombrasse
Se minha fosse su'alma

E se deixasse Te amaria
Ao acaso, como quem não quer nada
Se acaso me permitisse ama-la
Mas há muitos causos nessa estrada

São tantos os casos ao acaso
Que se perde no vácuo
O fio e a meada que nos uniu ao passado.
Assim de repente sem mais nem menos

Como quem não quer nada

domingo, abril 17, 2011

Voz

As vezes resisto
por saber que insisto
no caminho que me fixa

me vale a prova do registro
em troca de algo omisso
no caminho que me fixo

me vale mais o que improviso
com cuidado e abrigo
no momento certo e previsto
desfaz-se o previsível

arraigado rodízio
fugaz e repentino
me retira fatigado
de minha rotina

feliz de minha alma
que recorda do que ri
não importa com quem
nem o porque do que fiz

recorda o espírito do que sente
sou eternamente aprendiz
repreendo nos outros
e repreendo em mim
absolutamente tudo,
tudo que do coração não se diz.

quarta-feira, março 30, 2011

DivinaMente

Santo seja o silêncio
Este que passa por nós!
Pois nele reside a contemplação
do horizonte.
Faz de nós uno ao todo
e nos contempla ele:
com a graça de quem nos vê
como apenas um só ente.

terça-feira, março 29, 2011

Silos

os silos d'agua me seduzem
no momento que espantam de mim
o tempo
que insurge inevitavelmente
como flores
do meu jardim.

domingo, março 20, 2011

Não Há Titulo que Explique o Amor!

carolina, ana, carol, ana, ana carolina, 
do'nana que ama, mas não sabe à quem!
quem dera soubesse ana que não ama ninguem!
diria então assim:
que ama! mas infelizmente,
desfaz todo amor que vem!