terça-feira, agosto 09, 2011

A Fenda (El Surco)

Dentro de uma fenda aberta vi germinar
Um astro de infinita solidão
E com uma cesta lhe vi regar
Com água de um corrego de obscuridão

Ah, meu deus, a semeadura listou-se a perder
E a agua do corrego foi-se a correr
Ao astro lhe gosta a liberdade
E a agua do corrego a claridade
Não floreceu o astro, foi-se a clarear

Em uma hora triste quis-se cantar
E dentro de meu canto quis-se gritar
E dentro de meu grito quis-se chorar
Pois assim canto para calar

Ah, meu deus, a hora em que fui a cantar
Ah, meu deus, a hora em que fui a gritar
Se gritando se chora para calar
E meu jarro sedento não chega ao mar
Ah, meu deus, a hora em que fui a cantar
Ah, meu deus, a hora em que fui a gritar

E assim foi-se o astro a sua liberdade
E assim  foi-se o corrego a sua claridade
Mas não chega a hora de me libertar

esse poema é uma livre tradução da música 'El Surco' do grupo Chabuca Granda
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