segunda-feira, novembro 29, 2004

A Arte Apolínea e a Ingenuidade...

Quando encontrarmos a "ingenuidade" na arte, reconheceremos o apogeu da ação da cultura apolínea, a qual começa sempre por derrubar um império de titãs, vencer monstros, e, triunfar, graças à poderosa ilusão dos sonhos jubilosos, sobre o horror profundo do espetáculo existente e sobre a sensibilidade mais apurada para o sofrimento.
F. Nietzsche; A origem da tragédia.

A Cultura Apolínea colocada por Nietzsche é a cultura da imagem, das formas, da beleza, ela é a arte da ilusão, pois tem o propósito de falsear a realidade, de torná-la bela... Encurtando o assunto ela é otimista.

Esse livro faz uma critica ferrenha a arte puramente apolínea. De que vale a arte apolínea, se não para entreter-nos durante um curto espaço de tempo até que você se enjoe dela, daquela imagem. É só isso que a arte apolínea é, imagem! Só uma curta sensação de prazer que dão as imagens, sejam elas as heróicas imagens de um deus que vence mil demônios, ou a de um lindo corpo humano jovem e saudável eternamente estático, e imutável em sua forma. Tudo isso só serve pra esconder o verdadeiro caráter trágico da vida. Para esconder o quão frágil, efêmero, é o homem e sua existência, o quanto está despreparado para se proteger da própria natureza. Serve apenas, para tentar fazer com que esqueçamos que o corpo belo e saudável do jovem inevitavelmente apodrecerá, já que estando sempre sobre o assombro das marcas proferidas pelo tempo e do tempo que marca o próprio corpo, um dia terá encarar a velhice que precede a morte.
Deixar de ser, acredito que está seja a idéia mais difícil de ser aceita, e não só aceita também entendida, pelo homem.
Leon Latour
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