terça-feira, novembro 30, 2004

Clínica Geriátrica Com Corpos Comestíveis

Acordo de manhã e como toda manhã, me levanto pensando se poderia, ou deveria, dormir mais um pouco. Após me aprontar, faço o mesmo percurso de toda manhã. Chegando ao ponto de destino, e sem menor saco, entro em uma caixa enorme junto de muitos outros corpos,em sua maioria jovens, que lá habitam e que em sua maioria tem um jeito moribundo, misto de velhice e embriagueis. Sentamos todos voltados para a mesma direção. No ponto central ao qual direcionamos todos nossas vistas, brilha certa luz e abrem-se certos caminhos, mas só alguns de nós tendemos a percorrê-los, a maioria fecha os olhos e prefere ficar parado sem querer conhecê-los. Coitados não sabem o prazer que dá essas viagens, preferem ficar no desconforto de uma cela a qual eles mesmos criaram as grades, querem passar sempre pelos mesmos velhos caminhos sem graça, desgastado e sem novidades.
Quando a luz se apaga, no fim da manhã, fica a impressão de saciada certa sede insaciável, e também a vontade de desbravar, sempre, novos caminhos. De onde surge essa luz, aonde dará esses infinitos caminhos que não param de se multiplicar, será mesmo que são infinitos, e que sede insaciável será essa que nos move de volta todo dia ao mesmo lugar, será que um dia será saciada, e que lugar é esse que atrai tanta gente que quer sempre voltar, ao mesmo tempo em que obriga tantos a ter de aturar?
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