quinta-feira, abril 26, 2007

Agruras de Um Velho Bebado

O copo cantante de cerveja me chama, de maneira bem suave e baixinho, ele sopra meu nome "Latour, Latour, Latour...". Vou cambaleando em sua direcção e de maneira torpe agarro-o deixando cair seu conteúdo, ele grita! De um golpe só trago todo o resto sem deixar vestígios, amasso-o e o jogo no chão. De longe eu o ouço dizer chorando "Hoje estás a me deixar aqui, mas um dia serei eu que o deixarei". Aquilo mexe comigo, me embraveço e corro de volta ao ponto em que o deixei e sadicamente piso nele até vê-lo estraçalhado entre as pedras portuguesas... mesmo depois disso ouço seu fantasma que assombra minha cabeça com as seguintes palavras "voltaras a tocar tua boca na minha". tento esquecer, volto pra casa e deito para dormir. A cena de seu corpo dilacerado expremido entre as pedras perturba minha mente, rolo de um canto ao outro da cama suando frio. Não consigo dormir. Na manha seguinte passo novamente pelo bar e vejo que não há como fugir de suas palavras proféticas. Pego outro copo, volto a entornar cerveja até a boca e finalmente dou o primeiro de muitos novos goles.
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